O médico:
Se deparou com uma situação extremamente delicada, uma criança de nove anos de idade, estuprada pelo padrasto e grávida de gêmeos, gravidez esta que colocava sua vida em risco pois nesta idade o corpo ainda não reune condições físicas de suportar a gestação. O doutror baseado nesses fatos, e amparado pelas leis brasileiras resolveu realizar o aborto.
Vale salientar, que o legislador brasileiro, proibe a prática do aborto, considerando-o como um crime contra a vida (arts. 124 a 127 do Código Penal), todavia, esse mesmo legislador, excepcionou dois casos de aborto, nos quais deixa-se de punir o agente, quando houver risco de vida para a mãe, ou quando a gravidez for resultado de estupro (art. 128, I e II CP). Não custa esclarecer que o estupro é crime hediondo, previsto na lei brasileira e consiste em constranger mulher, à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça (art. 214 CP).
Foram nessas exceções em que o médico se baseou para realizar o aborto.
O bispo:
Ao ser informado que o aborto havia sido realizado, resolveu aplicar as leis da igreja católica e aplicou o que se chama de excomunhão (definida pela igreja como “um remédio espiritual para quem está no caminho errado voltar à consciência”) de toda a equipe médica que realizou o aborto e da mãe da criança que autorizou a realização do mesmo.
Ele sustenta que o crime de aborto é mais grave do que o de estupro — usando essa justificativa para responder a outra parte das críticas, de quem não entendeu como o padrasto da garota, que abusou da menina, não foi incluído na relação dos excomungados pela Igreja. “O mundo inteiro foi contra o Holocausto, onde 6 milhões de judeus foram mortos. O que está havendo é um Holocausto silencioso, em que um milhão de crianças são vítimas de aborto no Brasil a cada ano”, afirmou dom José.
E agora: Quem está com a razão?
Polêmica para o mundo discutir...
ABC News.com
- Governo critica
O site da rede de televisão norte-americana reproduz a declaração do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, chamando a excomunhão de medida “radical” e “inadequada”
New York times
- Apesar da igreja
Site de um dos maiores jornais norte-americanos assinala a realização do aborto “mesmo a despeito da oposição da Igreja Católica”
Irish Times.com
- Enorme controvérsia
Site do jornal irlandês publica matéria de um enviado a São Paulo destacando a “controvérsia” gerada no Brasil pelas declarações do arcebispo de Olinda e Recife
Huffington Post.com
- Nação católica
Um dos mais influentes blogs dos EUA registra a celeuma em torno do aborto da menina de 9 anos no “país com maior número de católicos romanos do mundo”
Karachi News (Paquistão)
- Registro muçulmano
Mesmo o jornal de um país predominantemente muçulmano deu espaço para a decisão do arcebispo brasileiro de excomungar a mãe e os médicos da menina
El Pais
- Governo X Igreja
Site do maior jornal espanhol enfatiza a divergência entre o governo brasileiro e a Igreja Católica em um país “onde os assuntos de Estado não costumam se misturar com os religiosos”
Caso difícil né?
Alguns questionamentos:
A criança de 9 anos poderia sobreviver a esta gravidez?
O crime de aborto é mais grave que o de estupro?
Existe pecado maior e pecado menor?
Os dogmas da igreja católica são as leis de Deus?
Quem está punindo o médico com a excomunhão: Deus ou o homem?
E você o que faria no lugar do médico?
Hora de opinar galera...
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Um grande abraço
Gabriel Wirz - 20/03/2009
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